Balanço das últimas duas décadas de trabalho junto às políticas culturais no contexto de povos indígenas marca abertura do Seminário do Pontão Kaingang nesta segunda 01, em Coxilha, RS.
Com abertura oficial celebrada pela liderança espiritual do povo indígena Kaingang, o Kujá Pedro Garcia, e a presidente de honra do Instituto Kaingáng, Andila Nĩvygsãnh, o Seminário 20 anos Cultura Viva e Povos Indígenas celebra a gratidão, particularmente aos professores indígenas, além dos parceiros, apoiadores e financiadores, que segundo Andila, ajudaram a construir, ao longos dos anos, a atuação do Ponto de Cultura Kanhgág Jãre, o primeiro Ponto de Cultura Indígena em Terra Indígena do Brasil, gerenciado pelo Instituto Kaingáng, e aprovado pelo Ministério da Cultura.
O evento, realizado pelo Pontão de Cultura Kaingang da Organização Indígena Instituto Kaingáng, Inka, busca refletir sobre a necessidade de ampliar a informação e a sensibilização de gestores públicos para a formulação de editais, premiações e propostas mais adequadas às realidades, modos de vida, territórios, saberes e expressões culturais de povos indígenas, com foco na Política Nacional de Cultura Viva e Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).




O painel da manhã teve a participação da Secretária Nacional Giovana Mandulão, da Secretaria de Articulação e Promoção da Cultura (SEART) do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), trazendo a discussão da cultura viva dos povos indígenas como instrumento de resistência, valorização de suas identidades e na construção de políticas públicas culturais de Estado efetivas para os territórios indígenas.
“A gente precisa sentar neste espaço e construir coletivamente como estamos fazendo aqui, o diálogo é intersetorial, interministerial e interfederativo. Precisamos que o Ministério tenha orçamento próprio e que os parlamentares tragam emendas para esta pauta importante que é a cultura e que as políticas possam ser de Estado e não de Governo”, reforçou a secretária.
O historiador e doutor Bruno Ferreira Kaingang, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destacou a relevância da recuperação cultural de povos indígenas no processo de avanço das Políticas Públicas. “Ao pensarmos em Políticas Públicas, estamos fazendo a retomada, a recuperação da cultura indígena a partir dos conhecimentos que estão em nosso meio e sendo utilizados”.
Em seus apontamentos, o comunicador e fundador da Rádio Yandê, Anapuáka Tupinambá defendeu a importância dos diferentes fazeres da política pública e o respeito às formas tradicionais de comunicação de povos indígenas neste cenário, “a comunicação indígena está em constante mudança, o grafismo existe há muito mais tempo que o QR code, a gente está falando da nossa memória, por isso é preciso provocar as coisas e estar em ações como estas, porque fazer política pública indígena é onde a gente se programa, sugere, é muito mais que ser um burocrata”.
Para o coordenador de Promoção da Cultura Indígena do Ministério da Cultura, Mirim Ju, o acesso às políticas culturais ainda é bastante inferior, com acessos que alcançam cinco dos 10% que são revertidos para indígenas. “Como vamos criar novas políticas se não estamos acessando nem as políticas existentes. É preciso levar formação e informação sobre isso porque nosso pensamento é reflexivo, antes de chegar afirmando, a gente reflete, as políticas públicas culturais precisam da participação, nós temos de conhecer estas políticas, direito não bate na porta”, reiterou.
A coordenadora do curso de graduação da Licenciatura Indígena da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Laboratório de História Indígena, também na UFSC, Adriana Kaingang destacou o valor da identidade e seus desafios como coordenadora semeando o trabalho nos territórios.
A programação do Seminário segue com o painel da tarde “Povos Indígenas na Política Nacional de Cultura Viva” e demais atividades previstas até dia 03, quarta. Em breve será disponibilizado o link com as fotografias do evento. Acompanhe por aqui as atualizações.




