Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, participação do Instituto Kaingáng enfatiza importância da trajetória de trabalho do Ponto de Cultura Kanhgág Jãre. Evento ocorre dos dias 19 a 24 de maio em Aracruz, no Espírito Santo.
A Organização Indígena Instituto Kaingáng, Inka, integra a 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, um encontro histórico que reúne agentes culturais de todo território brasileiro para a construção coletiva de suas contribuições a partir de boas práticas para a justiça climática, biodiversidade e preservação do meio ambiente.
O Instituto Kaingáng é um dos convidados ao 2° Seminário Internacional Cultura Viva Comunitária: Uma Escola Latino-Americana de Políticas Culturais, que acontece durante a Teia dos dias 21 e 23 de maio.
A advogada indígena Kaingang e gestora do Inka, Susana Fakój, apresentou os desafios como educadora ao longo do trabalho com o Ponto de Cultura Kanhgág Jãre, gerenciado pelo Instituto Kaingáng, a partir de um contexto histórico amplo das políticas culturais pensadas para povos indígenas pelo Estado brasileiro.
“O Estado partiu de uma política de destruição cultural, de não reconhecimento das línguas indígenas e de seus valores. Com a Constituição de 88, reconhece a diversidade cultural e linguística, o direito dos povos indígenas à diferença. É nesse cenário que nasce o Programa Cultura Viva e nós, como indígenas e como Pontos de Cultura, tivemos de pensar toda esta trajetória e como nos apropriar destas políticas para fazer valer nossos direitos. Como Ponto, começamos a trabalhar não pelo que víamos em cartilhas, livros de escolas, teses acadêmicas com a história de que o Brasil foi descoberto, mas fomos aos nossos anciãos, eles contam as nossas histórias não sob o olhar do colonizador”, enfatizou.
Susana destacou a trajetória dos últimos 20 anos do Ponto de Cultura e Pontão Kaingang, “temos trabalhado pensando a formação, o fortalecimento da cultura, dos artesãos, artistas, jovens, mulheres, crianças, do que é nosso, da nossa identidade cultural e não somente dos Kaingang, mas que a gente possa de fato ampliar a participação dos povos indígenas no acesso à Política Cultura Viva, mostrando para esta sociedade que não reconhece nossos valores, quem somos, e o valor que a nossa língua e cultura têm”.

Em sua participação, a advogada indígena Kaingang, Fernanda Jófej, reforçou, “estamos numa Teia discutindo justiça climática e uma das bases do Cultura Viva é reconhecer o saber dos nossos mestres, das nossas erveiras, das nossas parteiras, dos nossos pajés, dos nossos anciãos, que tem sido vítimas de extrativismo intelectual, as universidades não reconhecem de onde vem esse saber”, esclareceu.
A advogada defendeu a demarcação das terras indígenas, “somos 0,1% da população no Brasil, mas ocupamos 13% da áreas mais preservadas da terra, demarcar território indígena é política pública, de justiça ambiental, de sobrevivência do planeta, sabemos falar sobre economia de baixo carbono, se a argila secar não tem cerâmica, se o pássaro morrer não tem plumária, se a terra desertificar não tem cultura alimentar, estamos aqui para falar de direitos preexistentes ao Estado, reconheçam porque nós vamos permanecer lutando”, afirmou.
Ponto de Cultura Kanhgág Jãre
Considerado o 1° Ponto de Cultura em uma Terra Indígena do Brasil no cenário da Política Cultura Viva de 2004, o Ponto de Cultura Kanhgág Jãre nasce no Rio Grande do Sul em 2005 aprovado pelo Ministério da Cultura e gerenciado por uma organização indígena, o Instituto Kaingáng.
Após duas décadas, o Ponto de Cultura Kanhgág Jãre, segue trabalhando a valorização da cultura e conhecimentos tradicionais do povo indígena Kaingang, atuando nas regiões Sul e Sudeste. No final de 2024, o Ponto de Cultura Kanhgág Jãre torna-se o 1° Pontão de Cultura no país, proposto e aprovado por uma organização indígena, o Instituto Kaingáng, no cenário da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e Política Nacional de Cultura Viva.




