Segundo painel do Seminário trouxe o tema da Política Cultura Viva com foco na gestão compartilhada, na autonomia, empoderamento e protagonismo de povos inígenas, nesta segunda, 01, em Coxilha, RS.
O painel da tarde “Povos Indígenas na Política Nacional de Cultura Viva” trouxe para a discussão o Coordenador de Articulação da Cultura Viva do Ministério da Cultura, Leandro Anton, a representante do Ponto de Cultura TV Restinga (RS), Denise Flores, e Susana Fakój, advogada e gestora do Instituto Kaingáng.
Leandro compartilhou aprendizados com os participantes e trouxe conceitos acerca do que são Pontos de Cultura, suas articulações e engajamentos, apontando que a questão original, no caso das políticas públicas e seu acesso, não é o dinheiro, mas o reconhecimento do Estado e o respeito à cultura viva de povos indígenas.
Denise Flores provocou os participantes a refletir o momento histórico vivido hoje em termos de políticas públicas, que é de disputa. “Se estamos disputando políticas públicas os passos que precisamos dar é nos perguntar o que estamos entregando para a sociedade, os editais nos ajudam a tomar posse destas riquezas, dos nossos trabalhos, apresentando propostas e usando as armas que estão disponíveis para lutar juntos. Então não tem ninguém aqui brincando”, ponderou.
Susana abordou informações sobre o direito à cultura, tratando sobre a Política Nacional de Cultura Viva (PNCV) e PNAB, que devem reconhecer os povos indígenas como aqueles que são a própria cultura, memória, arte, conhecimento e formas próprias de viver, ensinar e resistir.
“É importante entender que a cultura não precisa vir de fora para ter valor. Ela já está viva nas aldeias, nas comunidades e nos territórios, por meio dos cantos, das danças, dos grafismos, da língua, das histórias, dos saberes dos mais velhos, do artesanato, das festas, dos rituais e de tantas outras formas de expressão. A Cultura Viva existe para reconhecer, apoiar e fortalecer tudo isso”, explicou.


Na programação do Seminário, ocorreu com exclusividade o lançamento da coleção de livros de tradição oral do povo Kaingang criados coletivamente na formação para professores e lideranças indígenas do Instituto Kaingáng, a Jornada Pedagógica, que ocorreu em julho de 2025, com o objetivo de estimular a produção intelectual dos educadores e a pesquisa sobre os saberes tradicionais, transformando estes estudos em literatura infantojuvenil para distribuição gratuita em escolas indígenas e não indígenas.
A coleção bilíngue é composta de três livros infantojuvenis: A origem do Milho, Kamẽ e Kanhru, e A origem de Kumĩ e Fuva e foram ilustrados pela artista e escritora Vãngri Kaingang, com tradução de Andila Nῖvygsãnh e Sueli Krengre Cândido.
Acompanhe por aqui as discussões do Seminário 20 anos Cultura Viva e Povos Indígenas, que segue até dia 03, quarta.




