Conduzida pela museóloga Doris Couto e o historiador Guilherme Brandalise, o principal foco da atividade é a conservação do acervo preservado pelo Instituto Kaingáng em seu espaço, nesta quarta, 08, e quinta, 09, no Pontão Kaingang, em Coxilha, RS.
A Organização Indígena Instituto Kaingáng, Inka, recebeu apoio à promoção da oficina de conservação de acervo do Memorial Kaingang junto ao Museu Julio de Castilhos, o mais antigo museu do Rio Grande do Sul, localizado em Porto Alegre, capital.
O Memorial homenageia Andila Nῖvygsãnh, mulher e liderança indígena do povo Kaingang (RS), escritora, professora da língua Kaingang aposentada pela Funai e militante do movimento indígena brasileiro há mais de 50 anos, dedicados à Educação e Cultura Kaingang.
A qualificação, realizada pelo Inka, Pontão Kaingang, Fundação Nacional de Artes (Funarte), Ministério da Cultura (MinC) e Governo do Brasil, contribui diretamente nos cuidados necessários a espaços como o Memorial, segundo a museóloga Doris Couto.
“Espaços de memória, museus ou coleções particulares demandam cuidados de conservação que podem ser muito simples como passar um pincel de cerdas macias numa tela ou um pouco mais complexos como a remoção de fungos que tem esse aspecto de mofo, ou a presença de cupins, brocas, que demandam técnicas específicas”, explica.
Acervo Kaingang
O Memorial possui um acervo importante que requer atenção como peças de arte, telas em pintura, com grafismos em tear de prego, cestarias, cerâmicas, adornos, arquivos fotográficos e memórias coletivas, protagonizadas e produzidas por indígenas Kaingang, como relata a gestora do Inka, Susana Fakój.
“Ao longo desses anos construímos um acervo de forma coletiva, colaborativa e chega um momento onde é preciso pensar em como conservar o acervo para que permaneça para outras gerações. Nesse sentido, esta oficina tem sido fundamental para nós, do Instituto Kaingáng”, diz a gestora.
Na oficina, o historiador Guilherme Brandalise trouxe exemplos da troca de experiências entre museu e comunidades indígenas Kaingang e Guarani da região metropolitana de Porto Alegre e a contribuição destas interações para a compreensão destes espaços junto aos povos indígenas.
Entres os grandes problemas vistos na oficina estão a umidade, a oscilação de temperatura e poeira que produz opacidade nas peças, além de agravantes como o uso de defensivos originados da pulverização de produtos químicos nas regiões e que geram desgastes nas pinturas.
A oficina trouxe sessões práticas de limpeza e orientações quanto ao uso de produtos para este objetivo, recomendações quanto à degradação em cestarias, proteção das telas de pintura, dicas para combater pequenas pragas, apontamentos quanto à iluminação, entre outras técnicas como a catalogação simplificada de acervo.
“A gente passou por uma oficina incrível no Instituto Kaingáng, nesse espaço lindo e também com um acervo muito potente e que precisa realmente de cuidados preventivos agora para alcançar as gerações futuras”, finalizou Doris.
Por: Sônia Kaingang












