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Nota de pesar – falecimento

A Organização Indígena Instituto Kaingáng, Inka, lamenta a perda de seu membro e colaborador, Carlos Joel Inácio Milhoransa, nesta quinta, 26, em Passo Fundo, região norte do Rio Grande do Sul.

Carlos, nome indígena Kãka, que significa em língua Kaingang, “Vento”, imprimiu uma extensa trajetória de trabalho e atuação nas áreas de educação, cultura e conhecimentos tradicionais Kaingang, e destacou-se no âmbito do Ponto de Cultura Kanhgág Jãre do Instituto Kaingáng, especialmente na Ação Griô Nacional, política de educação e cultura do programa Cultura Viva, iniciada em 2006 pelo Ministério da Cultura e direcionada à promoção da troca de saberes de mestres de cultura popular, através da oralidade e vivências para integrar conhecimentos tradicionais ao currículo escolar.

Junto de seis anciãos Kaingang, Carlos, por ser o mais jovem à época, era o aprendiz do conhecimento dos demais e compôs como sétimo integrante, o seleto “Grupo Cultural Kanhgág Kanhró”, formando-se a partir do reconhecimento de que a sabedoria do povo Kaingang se encontra centrada na figura dos Kanhgág Kofá, os “velhos” que por sua experiência, historicamente, têm sido responsáveis pela manutenção dos saberes e conhecimentos tradicionais através da oralidade, e assim de geração à geração, assegurando à manutenção e reprodução cultural do nosso povo indígena.

Neste trabalho, traduziram o termo “griô” para o Kaingang, que significa “Kanhgág Kanhró” (sabedoria Kaingang), e assim, tornaram-se conhecidos em suas atividades junto às Escolas Indígenas Kaingang, participando das ações do Ponto de Cultura Kanhgág Jãre, na Terra Indígena Serrinha, no município de Ronda Alta, RS, bem como de seminários da Organização Indígena Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, Inbrapi, que abordam a biodiversidade e conhecimentos tradicionais, em todas as regiões do Brasil.

Sua intensa participação nas atividades do Ponto de Cultura Kanhgág Jãre, tornou Carlos reconhecido junto à rede de Pontos de Cultura, junto aos Mestres Kaingang, os sábios Kaingang (Kanhgág Kanhró) no âmbito da iniciativa Ação Nacional Griôs, onde também tornaram-se conhecidos como os Griôs Kaingang, juntamente com o Grupo Cultural Kanhgág Kanhró, e com a obra, o CD de música intitulado Eg Jag Mré Um Ki, de cantos indígenas Kaingang.

Carlos foi sócio-fundador da Associação dos Professores Bilíngues Kaingang e Guarani, APBKG, organizada em 1992 em prol da educação escolar indígena específica e diferenciada.

Carlos Kãka deixa um legado de resistência cultural e de frutos concretos em benefício da luta indígena por valorização da cultura, da educação e dos saberes indígenas do nosso povo Kaingang. Nosso pesar é real por sua partida, que Topẽ conforte a todos, e o tenha nessa hora!

Carlos no Grupo Cultural Kanhgág Kanhró (foto acima): Mestre Griá (saia azul), a lado de Mestre Garé (camisa rosa), atrás, Mestre Figueroa (camisa cinza), Mestre e Kujá Jorge Garcia (de chapéu), Mestre Dorival Inácio, Mestre Carlos Milhoransa (de colar), e Mestre Kanheró (terno preto)

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