Formação busca reunir professores indígenas Kaingang com experiência na educação escolar indígena e jovens professores com pouco tempo de atuação na área. Atividade teve início nesta sexta, 10, e segue até domingo, 12, em Coxilha.
A Organização Indígena Instituto Kaingáng, Inka, deu início aos trabalhos de formação em Patrimônio Cultural Kaingang no modelo tradicional de oficinas, bastante reconhecido pelos professores Kaingang ao longo dos anos de atuação do Inka, que nesta edição, buscou dar ênfase numa participação maior de jovens professores, com pouca ou alguma experiência em sala de aula ou junto de suas comunidades.
Para a gestora do Inka, Susana Fakój, desde sua fundação, o Instituto Kaingáng possui uma atenção especial sobre crianças, adolescentes e jovens nas temáticas que trabalha, sendo necessário maiores esforços para qualificar uma nova frente de professores que estão chegando.
“Começamos a perceber que a geração mais nova desconhece algumas informações históricas que são tão presentes e até mesmo comuns para a geração de professores anteriores e pensamos em adaptar as propostas em desenvolvimento para alcançar melhor este público tão importante”, relata Susana.
Duas oficinas, a de grafite na perspectiva da arte indígena e pintura corporal facial com grafismos Kaingang estão sendo ministradas por jovens, um deles, o artista Xozão, da Terra Indígena Apucaraninha, no Paraná, e Arian Kãgfér, produtor cultural do Inka, da Terra Indígena Serrinha.
Juventude no Pontão Kaingang
Além dos participantes selecionados, as oficinas receberam para visitação dezenas de jovens e crianças da Comunidade Fág-E, da cidade de Sertão. Para Arian Kãgfér, “a oficina de hoje foi muito importante para o aprendizado das duas metades Kamẽ e Kanhru, com os jovens demonstrando interesse em aprender mais sobre a pintura corporal”.
A jovem participante Kelly Sales da Silva, da Terra Indígena Guarita, confirmou esse interesse, “eu não conhecia o trabalho do Instituto e vim com a minha professora. Eu mesma não sei muita coisa e vim na intenção de aprender cada vez mais”, afirmou.
Já o artesão Mauro Casemiro acompanha as oficinas do Inka desde 2006 e conhece bem a dinâmica das atividades. “O encontro é bem importante para nós, professores, porque o Estado não está mais se preocupando com a nossa formação, muito menos com a cultura e a sua preservação, nem o nosso país, o que querem é acabar com a cultura dos povos indígenas. Faz tempo que eu participo dos encontros do Instituto e a gente ainda continua lutando pela cultura, o artesanato, a pintura, a dança. Acho interessante o encontro para os professores que já tem tempo na caminhada e para os que tem pouco tempo na educação, é importante a participação de novos colegas”, declarou.
A oficina segue amanhã, sábado, 11, com o tema “Políticas Culturais para Povos Indígenas no contexto do Cultura Viva e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), um assunto relevante às comunidades, especialmente, quanto aos mecanismos de acesso e aprovação aos recursos disponibilizados para a aplicação de projetos culturais de povos indígenas.
Texto e fotos: Sônia Kaingang















