Representantes das organizações tiveram acesso a mentoria com foco em temas como liderança, gestão, comunicação e sustentabilidade financeira com uso de ferramentas visuais, gráficas e avaliativas, nesta quinta, 21, na capital paulista.
A finalização da imersão seguiu com as discussões da importância do desenvolvimento e fortalecimento das organizações selecionadas no edital do Instituto Unibanco e Imaginable Future para promoção da equidade étnico-racial na educação, realizado em 2024, sendo uma delas, a Organização Indígena Instituto Kaingáng, Inka.
Na programação da manhã, a equipe de avaliação e monitoramento respondeu dúvidas de caráter técnico e fiscal, além de esclarecimentos sobre a elaboração dos mapas onde as entidades foram localizadas em termos de posicionamento por eixos, auxiliando as organizações a entender melhor o impacto de seus trabalhos nos territórios onde atuam e calcular possíveis mudanças.
“A prestação de contas é um instrumento para garantir um equilíbrio dos custeios investidos, mas com flexibilidade, que é um reconhecimento da potencialidade das organizações. Quanto aos posicionamentos, a preocupação não deve ser pensar em que eixo estão, nem migrar de forma evolutiva, mas observar se a posição faz sentido para vocês e no avanço de prioridades dentro de um ano ou três”, explicou a equipe disponível para ajudar no processo.
À tarde, os participantes compartilharam contribuições sobre as ferramentas visuais, gráficas e avaliativas utilizadas ao longo do dia e trouxeram suas considerações finais para o alcance de uma educação inclusiva e antirracista almejada pela iniciativa.
“A gente sente que tem aqui o lugar da escuta, que estão construindo junto conosco e isso tem o seu valor. Vocês estão nos mostrando que o caminho que estamos seguindo é um caminho de sucesso, que existe resultado em pensar e seguir diferente, um resultado certo e honroso que é vencer”, agradeceu o gestor cultural à frente do Teatro Jorge Amado em Salvador, na Bahia, Nell Araújo.
A representante indígena Marcivana Sateré-Mawé da Coordenação de Povos Indígenas de Manaus e Entornos – Copime, uma organização que fortalece a luta dos povos indígenas de Manaus e entorno, trouxe o enfoque na liderança feminina.
“Temos um impacto profundo quando a organização é gerida por mulheres por causa do machismo, então quanto mais estivermos fortalecidas e as nossas organizações, faremos diferença à frente dos espaços de conflitos e tensões onde muitas vezes estamos à frente, e que geram inseguranças e adoecimentos nas mulheres”, ponderou.
Para o educador Raimundo Melo do Pontão de Cultura e Comunicação – Cecop, em Natal, no Rio Grande do Norte, “o grande mérito do edital é o desenvolvimento institucional, é preciso investir nisso para potencializar as organizações e a flexibilidade do Unibanco e Imaginable faz muita diferença”, finalizou.
A previsão da agenda de trabalho junto as 20 entidades escolhidas no Brasil inclui encontros online, mapeamento de mentores, acompanhamentos coletivos e individuais ao longo de 2025.
Por: Sônia Kaingáng, jornalista indígena independente do povo Kaingáng, especialista em Educação, Diversidade e Cultura Indígena.
Foto: Ana Paula Muniz Possebom





