Com início nesta quarta, 20, evento presencial engloba comunidade de práticas e trilhas de fortalecimento institucional voltado para as organizações selecionadas em edital do Unibanco e Imaginable Futures com foco na promoção da equidade étnico-racial na educação.
A Organização Indígena Instituto Kaingáng, Inka, participa da imersão presencial ao lado de importantes instituições lideradas por pessoas negras, indígenas e quilombolas, com histórico de atuação na promoção da educação para as relações étnico-raciais.
Na abertura, conduzida pela equipe da ponteAponte, representantes do Unibanco e Imaginable, foi relembrada a trajetória percorrida desde o lançamento do edital em 2024 e as diversas fases que resultaram na seleção das entidades, que eram inicialmente cerca de 700, sendo contempladas 20 organizações da sociedade civil, sendo 8 indígenas, com apoio técnico e financeiro até 2027.
Um resumo da escuta ativa nos últimos meses junto às organizações foi compartilhado, compondo um retrato dos principais desafios enfrentados rumo ao desenvolvimento institucional, começando pelos editais e captação de recursos, no fortalecimento das equipes, além da busca por melhores condições na estrutura física, com atendimento às demandas dos territórios, e um olhar na diversificação e ampliação das ações, com destaque na comunicação e ganho de visibilidade.
Importância do apoio à promoção da equidade étnico-racial na educação
Assim como o Instituto Kaingáng, que atua em prol de temas como a educação e a cultura indígena do povo Kaingáng há mais de duas décadas, as diversas organizações reconheceram a relevância do apoio do Instituto Unibanco e Imaginable.
Para a diretora executiva do Instituto Amazonas, Karina Paço, o apoio continuado é essencial para reconhecer e valorizar os saberes e práticas tradicionais por meio do incentivo à educação e da criação de espaços de diálogo e construção coletiva na região onde o Instituto atua, em Colíder (MT), se dedicando a apoiar jovens, mulheres indígenas e ribeirinhas da Amazônia na implementação da Agenda 2030 da ONU.
“Essa parceria não só fortalece nossas ações de base, como também aprimora a gestão institucional, assegurando maior eficiência e sustentabilidade aos projetos que promovem desenvolvimento local e inclusão social”, enfatiza Karina.
Já a Associação Berê Xikrin, que representa 15 aldeias localizadas na Trincheira Bacajá, uma área indígena com mais de 1.650 hectares banhada pelo rio Bacajá, em Anapu, no Pará, tem se dedicado com firmeza à proteção e valorização da herança cultural do povo Xikrin. O representante Diego Rigoni explica uma preocupação urgente que tem mobilizado lideranças e anciãos que é o crescente afastamento da juventude Xikrin de suas raízes culturais, de sua língua materna e dos saberes ancestrais.
“Com o apoio, a gente agora pode não apenas sonhar, mas realizar esse desejo que é trazer esse jovens para dentro da sala de aula e fortalecer ainda mais essa cultura neles. Essa parceria torna-se parte essencial de um projeto que visa a formação de educadores indígenas que atuarão como multiplicadores do conhecimento tradicional, da língua Xikrin e dos valores culturais que sustentam este povo há gerações”, destaca Rigoni.
O evento segue nesta quinta, 21, com o compartilhamento de experiências dos participantes para uma educação inclusiva e antirracista e a ampliação do impacto dos seus trabalhos nos territórios onde atuam, e demais programação.
Por: Sônia Kaingáng, jornalista indígena independente do povo Kaingáng, especialista em Educação, Diversidade e Cultura Indígena.
Foto: Bárbara Fernandes





