A advogada Fernanda Kaingang, membro do Instituto Kaingáng, foi reconhecida pelo prêmio do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) em cerimônia híbrida realizada nesta quarta, 07, na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, RJ.
Leia mais: Membro do Instituto Kaingáng recebe prêmio Sim à Igualdade Racial 2025A membro da Organização Indígena Instituto Kaingáng, Inka, Fernanda Kaingang levou a edição 2025 do prêmio que ocorre desde 2018 e é considerado o maior com foco às iniciativas e nomes que atuam por igualdade racial no Brasil nos eixos da Cultura, Educação e Empregabilidade.
O prêmio Sim à Igualdade Racial é uma das ações do IB_BR, uma organização sem fins lucrativos comprometida com a aceleração da promoção do tema da igualdade racial, atuando para conscientizar e engajar organizações e a sociedade.
Fernanda é a primeira indígena a assumir a Direção do Museu Nacional dos Povos Indígenas da Funai, no contexto do Ministério dos Povos Indígenas e foi representada na cerimônia do prêmio pela colega de trabalho no Museu, Sara Rebeca Kokama, do povo indígena Kokoma.
Sobre o prêmio, Fernanda acredita que é uma prática excelente de inclusão, de combate ao racismo, de fortalecimento, de políticas públicas para diversidade cultural dos povos indígenas.
“É uma honra receber o prêmio Sim, considerando que os povos indígenas do Brasil representam menos de 01% da população nacional, uma população vulnerabilizada, cujos direitos foram negados e que sofre práticas de racismo. O nosso saber, as nossas ciências e tecnologias são sofisticadas e aqueles que disseram que a nossa ciência era empírica e que os nossos saberes não tinham valor são os mesmos que patenteiam esses conhecimentos para auferir lucros, enquanto o extrativismo intelectual prossegue. Por isso, os espaços de intelectualidade como a academia e outros devem ser ocupados por povos indígenas”, declara a advogada.
Fernanda pertence ao povo indígena Kaingang do Rio Grande do Sul e ganhou na categoria Intelectualidade, do pilar Educação, sendo arte educadora do Ponto de Cultura Kanhgág Jãre – Raiz Kaingang, o primeiro Ponto de Cultura Indígena do Brasil. É a primeira advogada indígena formada na região Sul do Brasil pela Unijuí e a primeira mestra em Direito no Brasil pela UnB, é ambientalista, defensora de direitos humanos dos povos indígenas há 25 anos e doutora em patrimônio cultural e propriedade intelectual na Faculdade de Arqueologia na Universidade de Leiden na Holanda.
Por: Sônia Kaingang
Foto de capa: Erisvan Guajajara

Fernanda Kaingang foi representada na entrega do Prêmio Sim à Igualdade Racial 2025, ID_BR, por Sara Rebeca Kokama, do povo indígena Kokama.
Foto: Pajé Rita Tupinambá





